Cachoeira do Campo. Com uma população de 10.000 habitantes (2004), é o maior distrito de Ouro Preto, Minas Gerais. Localiza-se na latitude 20º 20′ 46″ Sul e longitude 43º 40′ 12″ Oeste, estando a uma altitude média de 1.039 metros. Fica situado na rodovia dos Inconfidentes, entre a sede do município (18 km) e Belo Horizonte (72 km). Foi onde ocorreu o episódio mais sangrento da Guerra dos Emboabas em 1708, no local conhecido atualmente como Oratório Festivo. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cachoeira_do_Campo)
Cachoeira não é apenas o maior distrito de Ouro Preto. Seu passado de glória e acontecimentos importantes o colocam definitivamente no cenário histórico de Minas Gerais. A maior parte de seu acervo arquitetônico já não existe mais, mesmo assim imponentes ruínas e construções remanescentes resistem ao tempo, denunciando a majestade de outrora.
O grande bandeirante Fernão Dias Paes – o Caçador de Esmeraldas – foi provavelmente o primeiro a alcançar uma linda queda d’água em meio a um vasto campo. Isto se deu por volta de 1675, bem antes de serem descobertas as fabulosas minas do Tripuí. Acredita-se que o primeiro aventureiro a se fixar no local tenha sido Manuel de Mello. Depois vieram outros, principalmente com a descoberta de jazidas de ouro. Mais imigrantes, mais bocas para alimentar. E a produção agrícola de Minas não era suficiente, pois muitos lavradores tinham abandonado suas atividades para se dedicarem às lavras auríferas. Nesse curso, em 1700, surge uma grave crise de abastecimento. Cachoeira do Campo responde e desponta como centro agrícola de toda a região. Uma poderosa aristocracia se consolida, com influência e dinheiro o bastante para construir prédios suntuosos para a época. Aliás, mesmo hoje seriam considerados suntuosos. A pompa e luxo fizeram morada em Cachoeira. Não demorou para que o poder também a escolhesse como residência.
Tantos interesses acabaram por transformar o arraial em palco de importantes conflitos durante todo o séc. XVIII. O primeiro foi a sangrenta Guerra dos Emboabas (1707-1709), envolvendo paulistas e demais imigrantes. Ambos lutavam pelo controle das minas. A revolta se espalhou por outros arraiais, mas devido a sua projeção, Cachoeira testemunhou a batalha decisiva. Manuel Nunes Viana, liderando os emboabas, levou a melhor. Foi sagrado o primeiro governador de Minas, provavelmente na matriz N. Sra. de Nazaré, em Cachoeira. Foi também o primeiro a ser empossado nas Américas pela vontade do povo. Seu intento, no entanto, não durou muito. Em vista do conflito a Coroa determinou a criação da Província de São Paulo e Minas de Ouro (1709). O capitão Antônio de Albuquerque foi nomeado oficialmente governador e Mariana escolhida como capital.
Os ânimos voltaram a se acirrar alguns anos depois, em 1720. Felipe dos Santos, minerador de Vila Rica, liderou uma revolta contra a instalação das Casas de Fundição e consequente recolhimento pela Coroa de um quinto de todo o ouro extraído. Era a Sedição de Vila Rica, que obtinha a simpatia de várias camadas da população. O episódio mais importante da revolta se deu na praça da matriz, em Cachoeira do Campo: a prisão de Felipe dos Santos, enquanto insurgia o povo. Foi condenado à morte. Há controvérsias sobre sua execução: enforcamento e esquartejamento ou se teve o corpo amarrado a cavalos, que saíram em disparada estraçalhando-o. Baseado nos acontecimentos o governador de Minas, o Conde de Assumar, determinou o desmembramento da capitania em duas. Estava criada a província de Minas Gerais.
Enquanto Vila Rica se transformava na capital da nova província, Cachoeira do Campo se tornaria a residência oficial do governador. Desta maneira as decisões seriam tomadas com mais tranquilidade, longe do fogo cruzado das opiniões vigentes na capital. O palácio de campo do governador era uma construção suntuosa. Relatos de época o descrevem como inigualável, dotado dos mais valiosos requintes. O prédio lamentavelmente não existe mais. A grandiosidade de suas ruínas servem de testemunho daqueles tempos áureos.
Interessantes fatos da Inconfidência Mineira se deram em Cachoeira. O quartel da Cavalaria, onde trabalhava Tiradentes, foi um importante reduto do movimento. De lá sairia o batalhão que prenderia o governador, Visconde de Barbacena, e tomaria o poder. O governador passava a maior parte do tempo no palácio em Cachoeira. De uma das torres da igreja N. Sra. das Dores – utilizada para alguns encontros dos inconfidentes – era possível acompanhar toda a movimentação externa do palácio, sem ser percebido. Não deu certo: Joaquim Silvério dos Reis traiu a causa libertária. Era o fim de um sonho, que renasceria 30 anos depois, com a Independência do Brasil (1822). (http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/cidades/ouropreto/port/cachoeiracampo.asp)




















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