Este ano a família toda foi curtir as férias de julho em Brasília/DF e São Paulo/SP. Como este blog trata de caminhadas, trilhas, competições, além de toda e qualquer forma de contato com a natureza, vamos tratar, então, do final de semana que passamos em Pirenópolis/GO.
Pirenópolis é uma cidadezinha a cerca de 140Km de Brasília/DF, tomando-se as rodovias BR-070 e GO-338 por aproximadamente 1 hora e 50 minutos de carro. Famosa por, dentre outros motivos mais ou menos nobres, ser a terra natal de Zezé de Camargo e Luciano, retratada através daquele filme…como era mesmo o nome, ah…Trê…quero dizer Dois Filhos de José (ou seria João?), a cidade fica encrava numa região de inúmeros morros inseridos na denominada Serra dos Pirineus.

Pirenópolis foi fundada em 1727 e apesar de hoje ter entre suas atividades principais baseadas no ecoturismo, originou-se a partir da ação de inúmeros garimpeiros portugueses que vasculhavam toda região a procura de ouro. Além do ecoturismo, ainda há resquícios de extração do “quartzito de pirenópolis” ou “pedra de pirenópolis”, famosa rocha que através de planos de fraqueza paralelos, tida como rocha ornamental, possui a função de revestir casas, calçamentos, muros etc. Este extrativismo mineral, por sinal, é percebido em diversos momentos como verdadeiras úlceras incrustadas nos sopés ou topos de morros.
São cerca de 26 cachoeiras espalhadas pelo município. Algumas delas também foram palco de gravações de novelas da Rede Globo, como a Cachoeira do Abade (Cristal).
Mas vamos ao final de semana propriamente dito, pois ao final deste texto estarei apresentando alguns links para consultas complementares. Nos dias 17 e 18 de julho fomos eu, minha esposa Flávia, nosso filhote Jorge e um casal de amigos (Paloma e Felipe), além do meu nobre colega Érico que só ficou conosco no primeiro dia, visitar algumas cachoeiras, assim como, é claro, curtir um pouco do clima pitoresco da cidade.
Já no caminho para nosso destino final, cerca de 115Km de Brasília, uma rápida parada no mirante do Salto do Corumbá. Um queda de 68m próxima a cidade de mesmo nome. A cachoeira encontra-se em área particular onde foi criada toda uma infraestrutura de camping, além de um pequeno parque aquático.
Segundo consta no site saltocorumba.com.br, reza a lenda, mas sobretudo, confirmam os antigos documentos de registro no Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, que uma grande quantidade de ouro, verdadeiro tesouro, foi levado destas terras para a antiga capital do Brasil, e depois para a Europa. Por mais de um século o paredão de pedra e o leito seco do rio foram as únicas lembranças da grande cachoeira que, de tão bela, os índios a chamavam de ¨Corumbᨠ(uma corruptela de ¨KORUM-Bɨ), que significa ¨meu lar¨. Já no Século XX, em 1988, foi construída uma barragem para obstruir o antigo canal de desvio, resgatando a magia e o encanto deste santuário. O rio foi devolvido ao seu leito natural, e com ele foi recuperado o esplendor deste presente magnífico que a natureza nos deu e, juntamente com as outras cachoeiras do Salto, a gruta, fauna e flora, nos ensina: Somos parte de um todo e a terra não nos pertence. Nós pertencemos a ela.
No primeiro dia visitamos apenas a cachoeira do Abade, uma queda de cerca de 18m, cujo acesso se dá por 14km de estrada chão em estado razoável de conservação. É, sem dúvida, na minha opinião, uma das mais bonitas da região. Tem uma prainha de areias grossas e poucos cascalhos e, como é cercada por paredões de rochas por praticamente todos os lados, a melhor hora para visitá-la é por volta do meio-dia, quando o sol está bem em cima de nós. Inclusive, devido a estes paredões íngremes, a cachoeira é frequentemente frequentada por adeptos de esportes de aventura que vem praticar o rapel na descida das águas.
Dizer que a água desta cachoeira, assim como as demais estava trincando de gelada é quase um pleonasmo, mas quem disse que o Jorge tava se importando com esse mero “detalhe”. Enquanto a maioria que se atrevia a entrar nas águas gélidas daquele freezer faziam todo um ritual de preparo na busca de coragem e melhor aclimatação, o Jorge, de apenas 4 anos, já estava vestido de seu sungão verde do BEN-10, correndo na porção mais rasa da prainha, dando chutes na água para todo lado e curtindo a vera aquele momento. Aí não tem jeito, o paizão aqui também tem que entrar. As águas das cachoeiras são sempre muito revigorantes. Poucos minutos após a inserção, a gente é tomado por uma sensação de paz e renovação, em perfeita sintonia com a natureza. Mesmo batendo o queixo, com os lábios roxos e se tremendo todo, parecia que o Jorge curtir, mais que todos, aquele momento sublime, se recusando a deixar pra trás aquela experiência.
No retorno, poucas dezenas de metros abaixo, ainda é possível nadar em um pequeno cânion com partes rasas e profundas.
Depois de visitar esta cachoeira, no local onde são adquiridos os ingressos (R$10) para acesso a mesma, há um restaurante e lanchonete, onde o visitante pode experimentar sorvetes e picolés de frutas do cerrado, tais como: Baru, Buriti, Cagaita, Jatobá, Macaúba, Mangaba, Pequi e Pitomba.
No segundo dia, fomos visitar outras duas cachoeiras que ficam dentro de uma mesma propriedade; as do Lázaro e Meia Lua. O acesso é praticamente o mesmo até a cachoeira do Frade (5km da cidade) e o preço de R$15 para serem acessadas. O caminho até o estacionamento, por si só já vale a pena. Um estrada de chão, localmente, nos trechos mais íngremes, revestida por pedras de pirenópolis, muito provavelmente para possibilitar meios de ser subida em períodos de chuva.
Para se chegar a cachoeira da Meia Lua é necessário percorrer uma trilha, plana em sua maior parte, de cerca de 1,5km. O Jorge que até então se apresentara como um perfeito aventureiro, reafirmou seu espírito guerreiro, percorrendo incansavelmente, todo o trecho sem pedir colinho em nenhum momento sequer. Não posso propriamente dizer que ele estava seguindo os passos do pai, uma vez que curiosamente ele prefere desbravar as trilhas à frente de todos. Mas todo esse esforço, dificultado por irregularidades no terreno que dificultavam o desempenho dos quase 50cm de pernas do Jorge, às vezes o derrubava, mas ainda assim, ele levantava, batia uma mão contra a outra para tirar a sujeira e vamos em frente. Diferentemente da cachoeira do Frade, havia apenas uma estreita faixa de areia, sendo o restante, pedras rodeando o laguinho que formava após a cachoeira que tem suas águas escorregando por um ângulo de algo em torno de 70º. Praticamente rasa, para adultos, até a queda propriamente dita, é possível ter o prazer de deixar as águas se chocarem contra as costas, massageando e dando ainda mais aquela sensação prazerosa de contato com a natureza. Até o Jorge desfrutou deste prazer. Era um tal de: “me leva na espuminha, papai”.
Já a cachoeira do Lázaro, é talvez, das 03 visitadas aquela que certamente agrada 5 entre 5 crianças. Possui uma extensa faixa de areia e, como uma praia, possibilita que as crianças brinquem de correr e fazer buracos. Mas ainda assim, o que elas curtem mesmo é o “sofrimento e agonia” de ficar em contato com aquela água quase congelada. Após alguns metros em direção a cachoeira o poção fica fundo e aí só nadando mesmo para se alcançar a queda d água que possui trechos onde a pessoa pode se posicionar sob as águas que caem de um paredão íngreme. Como o Jorge não podia ficar de fora…imagina…tratou de também dar suas braçadas, correr e jogar água pra tudo que é lado.
Na chegada a essa cachoeira também há uma lanchonete onde pode ser experimentado o Empadão Goiano que, apesar de ser goiano, já é um prato nacionalmente conhecido e uma das receitas consideradas típicas do Brasil mais divulgadas em sites de outros países. O portal português Sabores da Lusofonia vai incluí-lo entre as 15 receitas brasileiras disponíveis e o portal italiano Cook Around vai dar a receita na seção de cozinha brasiliana.
Pronto, já eram cerca de 14:00 e já era de ir embora. Foi, certamente, um final de semana divertido e renovador.
DICAS: Apenas duas: Protetor solar e repelente.
LINKS:
http://www.pirenopolis.tur.br/inicial
http://www.pirenopolis.com.br/
http://www.passagenseturismo.com.br/brasil/centro-oeste/goias/pirenopolis
http://www.trilhaserumos.com.br/dicas_ondeir_ler.asp?IdDestino=50
http://www.ueb-df.org.br/Atividades/loccachoeiras.asp#15
http://www.saltocorumba.com.br/
http://www.acessonews.com/blog/3216/frutas-do-cerrado/
http://www.altiplano.com.br/Empreceitas.html#Enge
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